Quando ganhei o filme de presente, o vi sem piscar, era como se estivesse tomando vinho tinto, o vi três vezes seguidas, na primeira vez vi a historia geral, na segunda vez vi o amor e as músicas e na terceira vez eu a vi, eu somente a vi. Uma mistura de cores, força, beleza e expressão única, ali, naquele momento, pela terceira vez encontrei-a direta, simples, mulher. É claro que devo ter visto até hoje mais umas 20 vezes, não me canso e todas as vezes descubro algo novo. Foi anos antes que ela chegou a mim, vi uma mulher de traços fortes, sombrancelhas juntas, buço cheio e flores no cabelo, me encantei com uma beleza ao mesmo tempo tão crua e feminina, eu tinha 18 anos. Nessa época não soube muito, minha cabeça estava virada para outros caminhos e não me dei conta que ela era eu. Agora aos 25 anos, ganho seu Diario Intimo, ganho suas palavras vindas em sua língua original, ganho mais do que frases, sentimentos e desenhos, quando o leio, quando o descubro, quando o folheio, é a mim que estou abrindo, é a mim que leio e descubro. Como pode ser? Não sei, mas é.
Não terei oportunidade nessa vida de dizer-lhe que foi suas cores e suas flores que me levantaram de um estado doente em que eu me encontrava, gostaria muito de dar um longo beijo e um abraço carinhoso nela e contar-lhe que quando coloco minhas flores, que quando coloco vestido é nela que me inspiro, é nela que me agarro, que ela é meu modelo feminino, independente de, é ela que eu quero ser quando crescer.
Escrevo em cores, em folhas, em janelas, hoje escrevo aqui, escrevo nos papeis que guardo como tesouros, porque acredito em mim, não nas opiniões, eu acredito no que sinto, no caminho, na ponte que meu coração faz com meus dedos e foi quando assisti sua vida, ali na tela da minha televisão, quando vi tantos motivos para desisitir e chorar e ao invés disso, ver sorriso, humor e força, foi ali, naquele instante de filme que olhei dentro, nesse grande buraco que existe aqui em mim, vi por um segundo uma luz colorida, algo chamando, algo dizendo, que ela sou eu, que eu sou ela, que você ai sou eu, que eu sou você, que somos um.
Obrigada Frida.
Noh Gomes