sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Acordar

Sem dúvidas o melhor foi acordar ao seu lado, não estou (nem sou tão louca a esse ponto) desmerecendo o antes, o começo, mas é perfeito acordar assim, olhando você, vendo essa boca, esse nariz, seu queixo, seus cabelos desgrenhados, ver seu peito nu, imaginar o resto.
Olhar você é me ver também, ver sua calma, sua tranquilidade (seduz meu fogo, doma as chamas e me come sem colher)seu ar de bom sono, faz com que eu fique quietinha, mau respiro, não quero que você acorde, quero continuar fascinada com o que vejo, quero cantar pra você, carregar você nos braços do sono e te dar um beijo de bom dia.
Não quero passar por egoista, mas não quero dividir esse momento com ninguem (nem mesmo com seus olhos), quero isso, eu aqui deitada de lado, você ai dormindo, e eu tentando imaginar que sonho te acompanha, so isso e mais nada, pra que acordar meu bem, deixe so por hoje a pilula vermelha e a azul na cabeceira de nós dois e feche bem os olhos.


***Sexta chuvosa la fora e um quente bom aqui dentro, ótimo fds e muita alegria.

Beijos todos meus e bons.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ontem teve

Ontem teve de tudo um pouco
chefe mudando meus planos e meu rumo
teve almoço de última hora com amigo fiel
teve cartas que ainda não abri e estão na bolsa
teve tarde chata e conversas dificeis
teve riso e braços pesados
(mas felizes pelo peso em si)
teve morango com leite condensado
banho da cria que vira festa
teve árvore de natal,
laços vermelhos, anjos dourados e a árvore sendo
entitulada de A Árvore das Meninas
teve muita chuva, cinza e ventania
teve caminha da vovó quentinha
e um sono de anjo e dos bons

uma pausa para colocar a casa em ordem
e tudo no lugar, volta o ontem teve

teve meia luz no corredor
almofada no chão
eu ali sentada, com livro na mão, vinho branco seco na outra
goles e goles quentes
boca, coração, corpo, tudo quente aquela hora
não teve choro, teve nostalgia
e no fim
teve sono embalado e um sorriso leve.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fala comigo

Criar tem haver com meu íntimo, com minhas neuras e desejos, ta bom, eu sei que você sabe, mas eu quero que você sinta, consegue? Eu sinto cada letra, cada som, cada gosto que ela desperta, ta chatice, eu sei que sou eu que escrevo, mas eu quero saber se você lendo consegue o mesmo. Leia com os olhos da alma e não com os físicos, fale com o coração e não com a boca, dance pra você e não aqueles passinhos ensaiados ridiculos, coreografia de robô, solta os braços, vem cá, me aperta, isso, abraça de verdade, odeio esses tapinhas nas costas, se solta.
Viu como é bom, eu sabia que você ia gostar, presta atenção meu querido, os olhos da alma vão aonde sua retina não alcança, concentra e me olha, o que você vê? Não idiota, não to falando do corpo, to falando da alma, ta bom eu sei que você esta brincando, vai, fala serio, o que você vê, ta vermelho porque? Eu vejo em você muita coisa boa, quer um exemplo? La vai, eu vejo uma alma boa, você é amarelo, irradia tons amarelos, tem a pele quente, os olhos brilhantes que ate parece um menininho, tem o coração grande, sempre ta pronto pra ajudar e tem um beijo quente. Nossa pra que ficar vermelho desse jeito, eu estou falando so um pouco do que vejo, agora é você, a não, solta logo essa boca, tenta pelo menos.

Ele: Você é uma menina com uma flor, anda descalço e me abraça forte.

Noh



Beijo

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tintas e melodias

Suavidade, seja suave, foi isso que escutei por longos anos, delicadeza existe, dentro, feche os olhos que você verá, eu ria, sempre dizia, eu sou suave feito uma tormenta, delicada como uma tempestade de verão e você sorria e dizia que não sou assim, que sou brisa, flor. Foi assim por quase dois anos, eu tinta vermelha, pink e laranja citrico, você era no maximo verde erva doce, eu dançava um rock furioso e você me acalmava com sua valsa. Era equilibrio, era morno, pura água morna, eu me embedava de Rum e você me segurava nos braços, brincava comigo, gostava da maneira que o prendia nas minhas pernas nesses dias de furia. Gosto da ideia de sua passagem na minha vida, gosto de saber que esta feliz com sua camomila e com suas violetas na janela, eu gosto , gosto de coração, foi dificil curar isso, aceitar esse seu Adeus, mas hoje sei, entendo que o que passou foi muito bom, mas as bases não eram fortes, não importa isso agora, ja pedi minhas desculpas aos céus cinzas de hoje e sabe o que ele disse: Corre na chuva menina e vai ser feliz.

Boa segunda

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Isso não é um pedido de desculpas

Ta bom, eu sei de mim e também não sei, sei que sou tempestade, que sou intensa, mas também sei que quando libero minhas asas é muito dificil de me controlar, a loba uiva, canta e dança (ainda mais com alcool na cabeça), sei que sou riso solto, adoro sorrir, olhar, encarar, brincar, perco a noção dos olhos dos outros, na verdade não me preocupo com os outros e com os dedos apontados, engatilhados a mim (especialmente quando estou com amigos), sei que não é tão facil estar comigo, sou mil e sou uma, dou o que tenho com segundos de tempo, tenho essa facilidade de estar, de ser, de não ser. Esta aí algo incomum, eu sei do que sou, admito e mesmo assim não sou assimilada.
Mesmo assim não me envergonho (será que deveria?), isso não é um pedido de desculpas é somente Eu escrita para o Eu que me lê.



***Ando feliz com as visitas, com os afagos que chegam por aqui e vão até além, agradeço pq sei agradecer e me sinto feliz assim, então obrigada de coração.

ÓTIMA Sextaaaaaaa, amu isso.
Beijo

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um brinde ao santo Fogo

Depois de olhar toda a bagunça no sotão, peguei caixa por caixa, papel por papel, foto por foto e desci as escadas até o quintal, foram várias subidas e descidas, um dia inteiro para falar a verdade, um dia de sobe e desce. Mas consegui esvaziar o sotão, so ficou o pó e as teias.
Cheguei no quintal e vi tudo amontoado, tudo misturado, um passado de 24 anos, tudo ali, na minha cara, cuspido pra mim, tudo ali, juro que quis chorar (reparou que ando chorando muito ultimamente?) mas segurei (acho que ta na hora de parar de engolir tudo), peguei o alcool e o fosforo, isso mesmo, risquei o palito e um show de luz, um show quente começou a se apresentar a minha frente, estalados e risos, juro que escutei isso vindo da fogueira. Não aguentei e entrei no espetaculo, dancei sim, dancei muito em volta das chamas, escutei minha loba, la dentro uivando, pedindo para sair, deixei, então sorri, dancei pro meu passado, agradeci sua espera quieta no sotão, escutei mais risos, uivos e uma festa começou, o estalado do fogo era como trovão dentro do meu peito quente.
So sai dali quando não restou mais nada além de cinzas, me olhei no espelho e estava toda feita de pó passado, sorri com alma e me balancei para todos os lados e quando olhei todo o pó tinha sido carregado pelo Sr Vento, ate mesmo as cinzas da fogueira.
Dormi feliz, agora sim, um brinde ao santo Fogo e a Liberdade Adquirida.

Gracias

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Janela e Pó

Andando no corredor, olhei para o teto, quanto tempo não fazia isso? Não sei ao certo dizer, mas tempo suficiente para esquecer-me daquela pequenina portinha do sotão, passei por ali mais umas dez vezes e olhei para ela, na decima primeira vez adentrei ao corredor com a escada nas mãos, afinal tinha algo me chamando insistentemente lá em cima. Arrumei a escada, subi sem olhar para baixo, tenho tonteira nessas horas e sempre desisto, suspirei fundo e em um solavanco cheguei na porta, demorei segundos para abrir, estava me decidindo ainda, afinal são anos sem ir lá, mas abri e entrei em um pulo so. Fiquei sentada na entrada, olhando tudo feito criança pequena, caixas e mais caixas abertas, papel e foto para todo lado, meu Deus, a quanto tempo eu não venho aqui? Afinal o andar de baixo esta em completa ordem e limpeza e aqui tudo tão bagunçado, com cheiro de mofo, pó e mais pó em cima de tudo, tem até teia de aranha, como pode isso?
Não tive minha resposta, mas meus olhos se encheram de lágrima e eu numa força gigantesca engoli um choro que queria sair, entrei mais um pouco e levantei, assim pude ver o tamanho da bagunça, tinha cartas antigas, fotos amassadas, textos antigos, diarios abertos, caixas vazias, cds jogados e uma janela precisando ser limpa. Antes de tudo, respirei fundo várias vezes, sentei de novo, amarrei os cabelos, dobrei a barra da calça e comecei por onde senti mais, a janela, precisava de luz ali dentro, luz de sol, de vida, então comecei pela janela e com ela limpa pude ver aonde o sol bate, aonde ele vai, custei a abri-la, anos e anos trancada, mas consegui, agora é seguir, organizar e ver o que dá.


Beijo