quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uma folha verde com ar sabido

É das nuvens que ela vê a chuva,nem sempre cai por aqui disse a pequena, mas ela passa e o cheiro do ar muda, um cheiro de assentamento, de animos assentados, de ar mais leve, de sopro de vida. Ela voa por aí reparando e recortando rostos, nas ruas, nos ônibus e em toda esquina, ela voa por aí, rodopia sem ver, gira os pés engraçadamente, tropeça quase sempre, mas ela voa por aí. Deita na grama e se vê verde, vê tudo ficando verde, até o sol vira uma imensa bola verde, ri de quem passa, ri de quem não entende nada disso, de quem não sente, de quem não relaxa, ela ri, ri de si mesma, chora de si mesma e respira fundo até os pulmões reclamarem.
Ela anda indecisa, incomodada, inconformada, anda bicuda, cabeça baixa, braços pesados, mas ela também anda solta, de oculos escuros, cabelos voantes e olhar puxado, ela anda mesmo não querendo andar, mesmo querendo ficar parada, feito a estutua de Milo, com seios de fora, olhando para o nada de dentro. Ela voa, ela anda, ela pará, ela ri, ela chora, ela imita, ela dança, ela deita, ela vê, ela tranca, ela se fecha, ela so solta, ela se entrega, ela se guarda, ela é ela.

Noh GOmes

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Prosa risada

Liga o vento na passagem
um aberto que uiva
é loba, é chuva, é vida
Encaixa pernas e braços
regado tudo a vinho e risadas
é boca, é sorriso, trocadilho
Me liberta as mãos
me pinta com o enroscar
é entrega, é troca, é boca
Dança pra mim, com o meu corpo
canta o que é do momento
experimenta o doce, o sal, o mel
é vicio, é sol, coração.

Noh GOmes

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Meus pés doem

Eu me escuto, me silencio e deixo falar, separo o joio do trito aqui dentro, sei o que é meu e o que é do outro, eu me escuto todo dia e tendo agir igualmente a meus comandos e desmandos internos. Sou convicta do que sinto, eu me respeito, respeito meu ritmo, e no atual momento meu ritmo anda um pouco mais lento, meu organismo anda mais lento, é uma fase de introspecção e decisão a todo momento, mas eu sei de mim, sei do meu coração, do que sinto, eu sei disso. Bonito e nada fácil dizer isso, a um certo egoísmo e até mesmo digo um certo recolhimento, uma certa cautela no caminhar, no falar, mas acredito eu que hoje é isso que preciso fazer por mim, me recolher e caminhar o quanto aguento, da maneira que meus pés aguentam e mais até, de uma maneira confortavél e sem estrondo.

Não quero a compreensão do mundo, mas o respeito ao que sou.

Noh Gomes

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Escuta e Faz

Essas são palavras de otimismo, de clarão e apoio, é para ser feliz. Esquece tudo isso, esquece toda essa tristeza, agonia, angustia e interrogação, nada disse existe, nunca existiu, tudo isso não exite. Esquece os defeitos, os problemas, o ódio, a raiva e desgosto, nada disse existe, esquece porque tudo isso não existe.
So existe o que você quer que exista, so acontece o que você quer que aconteça, é tudo obra sua, suas mãos plantam as sementes e você colhe, mas não se preocupe, se a semente não é boa, replanta, joga fora, assuma que não foi uma boa escolha e pare de reclamar, tem muita terra, muita água, existe mãos, pernas e ar, existe ar.
Fácil falar, não, não é fácil falar, nem entender e muito menos colocar em prática, mas quem disse que essa vida é fácil como você quer? Pode ser fácil como deve ser, mas ainda estamos dormindo, em coma.
Acordaaaaaaaaaaaaaa, sacodeeeeeeee e vamo caminhar.

Essas palavras foram o apoio interno que eu recebi hoje de mim mesma, mudanças sempre.

Noh Gomes

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Descubro um ponto, uma virgula todo dia

Tenho sorriso pra tudo e sei bem que sorrio até mesmo na hora errada, tenho ouvido pra muita coisa, mas também tem coisa que passa desapercebido, meu nariz funciona bem, meus olhos tem miopia, penso mais rápido do que falo aí acabo falando embolado e alto, sou desastrada, não sei direito meu tamanho, sei que perdi medidas nesses últimos meses, mas não sei minha proporção. Descobri à alguns anos, a oito anos exatamente um mundo novo, que vive dentro de mim e fora, e com isso descobri mil coisas boas, outras nem tanto, mas sei que minha alma é violeta, nasci sobre a influência da cor azul e ainda não consigo entender o porque de não ter nenhuma roupa dessa cor. Hoje suspirei fundo e disse a minha mãe que queria ter sido bailarina, ela sorriu e me pediu desculpas por não saber antes, eu ri, porque também ja quis ser astronauta, contorcionista, a menina que foge com o circo, a menina que trabalha e vive na livraria, a dona de restaurantes diferentes, fotográfa e mais mil coisas. Tenho uma certa paixão por viajar, tenho certo receio por mergulhar, não tenho bichos de estimação, aprendo a ser mãe no mesmo ritmo de crescimento da minha Maria, tenho uma amiga que nunca vi, que tem o mesmo nome que o meu, que gosta das mesmas coisas que eu, que me encontrou por aqui e que mora no meu coração. Tenho um amor bom, sadio, gostoso e companheiro. Tenho neura com qual profissão seguir, qual vinho servir. Tenho grades imaginárias, muros que me fazem parar no meio do caminho, tenho música eterna, que escuto todo dia e choro de emoção, tenho um livro de cabeceira que me faz ser quem eu sou e tenho paixão, tesão pela escrita, uma escrita minha, da minha cabeça e que nem sempre sai pelos dedos. Tenho, sou e tento.

Noh Gomes

terça-feira, 6 de julho de 2010

O que você não quer saber

Gaiolas sem grades, é nesse mundo insano que vivemos,
sou eu, sou você, somos todos um só.
Viventes e sobreviventes, cabeças atoladas ate o pescoço, sorrisos felizes, não sabem, elas, pobres cabeças cinzentas, não sabem o que dizem,
não sabem da onde vieram e muito menos o que são.
Gaiolas sem grades, prisioneiros somos todos, do corpo e do ego.
Portas sem fechaduras, vivemos no escuro, optamos pelo escuro, enquanto isso, o sol, o sol queima, arde e faz viver.
Olhos cerrados, bocas falsas, dedos endurecidos, corpos em coma.

Noh Gomes

domingo, 4 de julho de 2010

Aleatório ou não

É um nu que escorrega
que percorre
É uma perna que adormece
que se esconde
É um olho que não vê
um silêncio que apazigua
É um rugir dos pés a cabeça
É um nagual que não se revela
É um vinho que não acalenta
não diz e não faz
É um pão que não alimenta
que não sacia
É um vão que vem e vai
É um caminhar que dorme
Um passo que não acerta
uma boca bem marcada
e um chiclete sabor de menta.

Noh Gomes